Ato falo

Língua mal dita!
De tanto falar pra caralho
De tato e de falo
Falho e me embaralho


Calo

De tanto dito e redito
Redijo, repito e redigo
Que o calo na língua me cala


Árvore


 
Sinto-me árvore: de alma plantanda no chão!
Telúrica...
Mas seria feliz ser folha seca e sair voando por ai,
ou, quem sabe, uma semente no bico d’algum
pássaro em busca de amplidão...


Amor tecedor
O AMOR TECE
A DOR
QUE A MORT E CE


Lu Dancegirl



Da cor de Iracema, com ancas de gringa
Carrega a parda cor bem de Dita na ginga

O dia já foi e anoitece, mas o céu não escurece
Vem Ela, desponta rodeada de luz, lhe aparece!
É ela que alua, é Ela a tua madrinha Lua

Acende pra Ela uma vela, entoa uma prece, agradece!
Bate caixa, chama o tambor, embola na roda da saia
Cante um coco, levanta a poeira, até que de novo o sol saia

É hoje é teu dia!
Dance menina,
Mãe de Maria

Luz, encanto e alegria,
E até mesmo o danado do amor,
Ela nunca há de te negar, seja lá como for

É hoje tua noite de lua, de festa e magia
Dance girl!
Dance até raiar o dia

CHAMADO
 
Ainda choro
Com o gozo
Do teu nome
Na boca


ASAS



Soou suave...
De asa assaz travessa...
Veloz soou como voz
No vôo, há vez, sou Ave...



Vens com mãos cheias de mimo
Acordes com tons de choros sentidos
Sons com dom de acordar calados ouvidos

Vens quase um menino a mostrar brinquedos
No olhar, investiga; na boca, sorriso reprimido
Palavras economizadas valorizam segredos

Doa a cor, doa a dor dos sons que te falam
Na ânsia de se fazer presente, roça teclas e cordas
Dedilhas memórias sonoras que me embalam

Pisando macio revolve os restos da última colheita
Deixas vazar cheiro da terra que ainda me amorna
Entre folhas e raízes, faz ninho e te deitas

Me entras pela boca e me soas pelos ouvidos, me acordas ...

cascas
 
visto uma casca nas costas
e rastejo no limbo,
ando meio caramujo.

POESIA VAZADA
Do desejo de ser bela
Vazou a fantasia
De
Ser
Tua
Tela
Nua
Tingida
De poesia
*
Das mãos vãs
Despida de pudores
Escorreram cores
duras
frias
puras
*
Da mistura
Sôfrega
De
Peles
E
Apelos
Forjou-se
A ferro frio
A Chama
De nuances azuis
*
O tato vaz
Do desejo em brasa
Deu voz
E vez
À traquina
Arte
E
Cravou
Com dentes de pecado
As cores cruas
Nas carnes nuas
*
No
Delírio
Suave
Das
Dores
Suores
Regaram
A pele
Que
Agora
Aflora
Luzes
E
Flores


Memória de açúcar



Escorre
Cana
Desce
Doce
Garapa
Escorrega
Pelo braço
Da memória
E cola
Na história
Traquina
Do abraço
Melado
Da infância


Beija-flor



Me enfeitei de flor
Pra encantar passarinho
Beija-flor!


EU

[+sou dada ao cultivo de lírios
rosas e espinhos me habitam
flores azuis que me trepam
me despem

em noites de lua,// vasculho em cantos
só nua me// (a)visto de mim +]

E porque hoje tem pestade

Doce e sereno segredo com promessa de tempestade
Te escrevo como se tocasse notas de um piano inventado
Como se pudesse te encantar imitando vozes sagradas de Ninas e Billies
Ouço suas surdas respostas nas loucas de Ward e Waits
Não seremos tão serenos sempre
Temos toda culpa das invencionices de que nos fizemos
Porém, prometa!
Quando ao alcance das mãos
Não economize doces promessas
Nem as profundezas de olhar
Navegue-me pelas estranhezas
Submerge nas fossas das entranhezas
Mas jamais me dispa das vestes tênues da ilusão
(Talvez eu só seja se assim o flor)

Receita caseira pra acabar com medo (de criança crescida)

Há dias em que ele é miudinho
A gente nem percebe que ele está lá
Na gaveta da cômoda; não incomoda nem nada

Mas tem dia que ele cresce
Como massa de pão
Feito com fermento bom

Expande, incha e se apodera
Do Peito até espremer a coragem
Que também mora lá

Isso é bem do seu costume...
Mas nas noites frias quando ele estufar
E começar apertar e sufocar

Faça um chá de erva doce
E tome com biscoito de nata
Não importa se na porta da alma ele bata

Se enfie sob o cobertor bem quentinho
E sonhe um sonho de ousadia, quando raiar o dia
Verá que ele voltou pra gaveta, de novo miudinho...

do medo

I.
Vem com seu manto vazio
Envolve como vento frio
Contrai pele e músculos
Enrijece os nervos
Empalidece a face
Turva a visão
É ele, o medo
Que me leva pela mão
Em noite de escuridão

II.
Mãe, vem!
Me acende o lampião
Alumia os meus caminhos
O temor me enfraquece
É ele que me afeta
Com tanto afeto
E faz de mim de novo um feto

III.
Vai medo!
Sai!
Sou leão!
Sou árvore centenária
Sou rocha que vem do chão!
Tenho mais covardia não!

Sai!
Não se achegue!
Carrego ainda comigo
A tocha da ilusão
É com ela que te cego!
É com ela que te queimo!
Sai!
Tema o fogo da paixão
É ele que me domina
Fica bem longe então!
Pois pra ti não há mais sequer
Um fiapo de compaixão...

A Ninfa e o Menino do circo no olho

Dividem as goiabas roubadas...
Embalam-se nos versos
De antigas canções de meninar

Brincam de pular abismos
Alheios a qualquer perigo
Trocam monólogos...
Fiam a prosa com fios
De versos solitários
Que se emprestam

Caminham pelas trilhas das estrelas
Buscam as pistas da lua despida
Colhem os cheiros dos causos da roça
Que brotam na terra molhada da memória...

Nos cantos iluminados da escuridão,
Encontram-se às escondidas
Longe das vistas da razão...
Pelas janelas que se abrem,
Espiam com estranheza
A loucura de suas belezas...

Disformes, assumem a forma fria
Do azul da luz da ilusão...
Aludem o espectro da paixão...
Vertigem, miragem, viagem sem despedida...
Ausentes se fazem imagem do preciso delírio...

Olho Mágico



Lá fora...A vida rola. Lá vai ela...
Aqui dentro agora, abóboda,ágora banal.
Sepulcro...Aquário...Real?
Girando no prumo-destino,rumo ao exato...
Norte fadado...
Círculo incansável,
Redemoinho...
Rosa sem vento
Moinho...
O que resta?
Quirela de vida?
Querelas...

Blue Life



Acordes
Som
Blues...
A cor da vida
Jaz cinza


Despeito

A despeito
Do meu jeito
Tão afeito
Ao afeto
Meu peito
É um sujeito
Despeitado!

FAZ DE CONTA

I.

Eu te fiz de contas
Uma a uma
Enfileiradas
Num fio invisível
Eram quase todas translúcidas
Algumas de luzes coloridas
Furtaram-me sombras e dores
Mas no fim das contas
Gotas de vida seca
Respingaram no colar
De cristais de açúcar
E dissolveram
O doce que te recriava...

II.

Fazia de conta...
Que me eras encantador
Que eras ludibriador
Que a brincadeira
Não era a dança das cadeiras

Nos teus olhos apagados
Fazia brilhar duas meninas
Eram elas que atraiam-me a espiar
A alma que te inventei...
A que era de vidro e se quebrou
Pensavas mesmo ser o menino que te pintei?

De novo o intento
Do invento de éter no amor

Tocar

Estendo os dedos
Estico os membros
Distendo os músculos
Mas é porque longe das mãos
Que te pretendo tocar
 
Desafio

Se ao alcance da mão estivera,
Era agora e sem demora
Que assanhava tua chama
Que me clama...
Lhe dava na boca um gosto de amora
Atiçava a fome que te devora
Tocava-te com o dedo do arrepio
Eriçava-lhe dos cabelos cada fio
Te molestava com febres e calafrios
Atormentava-lhe o desejo até o desespero
Mas depois, como paga do meu destempero
Te arrastava para minha cama de dama
E sem apelo ou qualquer preço
Fazia de mim seu endereço

Fazedor de riso



Foto:Rosa dos Ventos

Ha! Ha! Ha!Ha!
Que ironia!
O palhaço
Alegoria da alegria
Chora na perna de pau
Mascarado!
O descarado finge dor!
De surpresa:
Espanta
Assusta dor!
Das caras cheias
Que passeiam feias
Faz sorridores!


Máscaras de verdade
(ou: sobre o que era vidro e se quebrou)



A farsa
Disfarça
A desfaçatez
Foi tanta força
No fórceps
Que no verso
Virou o inverso:
De tão falsa a realidade
Fez-se face da verdade

*

Cai a máscara
Descarada a face que me era cara
Desfaz-se e cala!


Sem sentido



Dispo dor

Caíram as penas sobre as costas
Saíram as peles mortas sobrepostas
Quedaram as que eram verdes
Vergaram os que foram fortes

Ao ver-me nua...
Perdi o pudor da dor


Desire II

Toda prosa
Roça
A rosa
Nas coxas

Arrochada
Roxa-rosa
Verte
Vermelho-leite
Do desejo-verde
Sopra ver-te
Só (r) ver a dor do desejo-ar-dente!


Pecado



Foto:Heitor Florence

Apimentada cor
Arde nos olhos
De quem a ver me lha


Tormenta

Chamados
Vespertinos
Vespa
Em desespero
Destempero

Ardência
Sem pimenta
Tormenta...


Passarinho

Quando o peito aperta abro a gaiola, deixo a porta
entreaberta para o passarinho sair...
Mas ele fica quieto e calado lá dentro,
prolongando o sofrimento...
Não sabe se quer ficar, mas tem medo de voar para longe;
teme ficar preso, privado da amplidão do vôo...
Tolo passarinho, não percebe que no seu ninho,
as penugens da liberdade é que o aconchegam com carinho...


Brinquedo II



Sob o segredo dos teus lençóis ateus
Profanamos nossos corpos-brinquedo
Lúdicas luxúrias lúbricas
Derramam o leite do gozo
Sobre nossas almas à toa

Anseios



seios alvos
do desejo:
anseios...


Desire



 
AGORA

deleite-se!
antes que o sol se ponha
antes que a lua mingue
antes que as flores caiam
antes que o outono finde
antes que fantasia desbote
antes que o abraço embarace
antes que o beijo amargue
antes que o desejo esmoreça
antes que o aconchego esfrie
antes que o corpo se feche
antes que o olho enxergue
antes que a língua se cale
antes que a alma doa
antes que o riso sem-grace
antes que magia desencante
antes que a música pare
antes que a paciência acabe
antes que a chama queime
antes que a brincadeira termine
antes que a paixão emburreça
antes que o jogo suje
antes que poesia endureça
antes que você não mais mereça
Mas antes só agora
do que nunca


(Para Cláudia Gomes)

Doce de Leite



no doce deleite
no apelo do espelho
deleita-se a moça
 
Tatuagem



Laura



Alumiador



(Foto:Heitor Florence)

Imagem
que me revela
a coragem
do sofredor
que se rebela
contra as trevas
de só sofrer dor

Imagem
que me revela
a viagem
do sonhador
que leva no andor
a vela pra alumiar
os caminhos de dor

Imagem
de fotografar dor
Vertigem
Olhar de provocar dor
Lente que espelha
A cruz e o desalento
Dos que carregam com ardor
O sofrimento lento
De perder dor

Porcelana

Não é Lena
Nem Lana
Não é Dalva
Mas é Alva
Por sinal
Não é Pura
Qual Cal
E nem é por mal
Mas na loucura
Jura
Que por ser Ana
Pensa ser
PORCELANA

Não é plana
Nem branca
Nem tela
Mas em cena
É plena
Insana
E por ser Ana
Nas curvas-klimtianas
Cravou na pele
As flores azuis
Dos jardins
De Diana

Sorriso



No olho
Sorri a mina
Que ME vê
NINA

Brinquedo I



 
Defeito de afeto
Mostro
amostras
do
feito
de
afeto
que
de
fato
te
doou
no
ato
do
tato
sem
tato
*
Mostra
Monstro!
desmonta
demonstra
o
defeito
do
feto
do
afeto
desfeito

Pecha

Flecha que me fecha
Pecha que me ci catriz:

em ti atriz
te atro
no ato
tatuo
teu
tato
de fato

Teu cravo exala o olor
dos (a)pêlos nus,
Crava-me
na carne
a clava de espinhos crus

Fela Kuti



Na
Fila
um
Felá
Fila
Um
Filá
De
Fular

Mel
E
Fel
Fela
Kuti
Sa
ca
o
Sax

Fone
Incuti
Som
De
Festa
Femi
Escuta
Femi
Nina
Baila
Mina
Dança
Nana
Açucena
Africana
Alucina
No
som
De
Lírio
primitivo
No
Tom
Original
African
Mãe

Deleite na lata

Me
nino
Meu
mimo
Me
nina
Me
aniña
a
menina
No
niño
que
nino
no
leito
de
l
e
i
t
e



Nana

De Pai
nasceu
quase
um
Duende
Da mãe
engoliram o
Rodrigues

Antonia chamou-lhe Ana
A avó lhe queria Cláudia
Quando lhe deram um mano
logo,
virou
Dadá.

Quando
Nasceu Lu,
Naná.

Na brincadeira
dos mimos
Um marido
Ninou-lhe
Nana

A criançada
Pequenininha
Escolheu Aninha

A magia
da poesia
Forjou Donana

Dadá
Nana
ou Naná.

Aninha
ou Donana.
Chame
De trás
Pra frente
ou
De frente
Pra
Trás!
Não
Importa
Por
Qual
Porta!
Sempre
Virá
Na
Chama
Aquela
Do
Nome
Ana
Que
na
Lua
Cheia
Incendeia
e
arde
feito
Diana

Nina...



Me
Nina
Linda
Simone
*
Meu
Mimo
Me
Nino
Me
Nina
Me
Niña
*
Me
nina
Me
aNiña
Me nina Nina:“My baby just cares for me...”

Gozo Verborrágico

Engana-te ao pensar
Que não me vês

Enxerga bem mais além
Do que a visão o poderia:
Conheces bem minha face de vadia

Oferecer-te-ia a cara (e a tara)
Se não a visse com tamanha ousadia
Avalio a avaria
(Que já provocas a revelia):

Tua mão artesã de desejo
Provoca e sacia a sede d’água fresca
Vertida da tua mina de menino.
Mina meus pudores,
Bolina meus sabores

Delicio em deleite
O prazer da tua língua morna
A deslizar do nunca a nuca

Na Terra do Nunca, se luz se fizer
Sou Lúcifer,
Mas também sou du(e)ndes,
Fada, arcanjo, menina e mulher.

Destapo o aquário onírico
Convido-te ao mergulho:

Entre pernas de desejo,
Mãos de lamber
Tronco de aninha(r)
Labaredas de línguas
Do enrosco sôfrego
Exala um cheiro de sexo
Da carne ainda desconexo...
Entre coxas vaza o meu pelo teu desejo...

(Escrito em 27 de nov de 2004)
______________________________________________

Mar

(...) amornada as coxas,
na colcha de micro cristais de quartzo,
o calor trepa-lhe a epiderme,
como hera em muro,
Aninhada na derme da cama quente,
molda os contornos no lençol de areia alva.
Inerte, embriagada, pelo sol que lhe aquece a face,
desfaz-se a tez em devaneio(...)
Na espera do absoluto-mar,
lamber-lhe o sal...

Cielo



no céu do seu abraço...

Tira

me
tiras
o couro
em
tiras
no
coro
de
mentiras

morremoça



 
Brasa



Tenho uma brasa-paixão
que nunca se apaga,
vez por outra,
(in)chama!

(a)Nexo

Pior que a puta
Que vende o sexo
Desconexo
de amor
É a pura
Que troca a alma
por dor

Camélia

Olhei e senti um gosto fruta-cor
Cheirei e vi um som amarelo-flor
Na língua ouvi um cheiro rosa-ardor
Na falange um sabor manga-amor

Parecia bromélia
Margarida
Papoula
Vitória-régia
Mas não era!
Era ela que vinha:
Lelia-camélia!

Expiação



Na soleira
da vida sépia
o menino
espia

Rosa-hilst



 
El hombre invisible



Na superfície da fantasia
Ainda forjamos o profundo
Talvez o engano
Não há um plano
Há só o louco desejo
De desejar o fundo
(das almas andarilhas)
Há só um apelo
Vontades devotadas:
De pele e de pêlo
negro e alvo
claro e escuro
Contrastes desbotados
nos suores da loucura
Olhares à procura
do absoluto-mar
Na velocidade do vento:
Santidades ensandecidas,
Galopamos tempestades

Mina

Na retina
A menina
Mina

Mira
a visagem
da dor

Mina
a coragem
do amor

Lágrima-lava
leva
as cinzas
do desamor

Lava
da boca
o dissabor
Renasça menina
Fênix-flor!
 
(Para Alessandra Keller, mulher que renasce do ardor de viver)

Pariu

Puta
Que pariu
Pare!
De parir
Um barril
de pranto

De nada vale
Vale de lágrimas
Nada!

Des faça tez



face
em si
nua

a minha
desface
tua

a tua
faz-se
minha

Afloro

mais que dantes
só (a)floro no verão
mas quando pensa que não
no inverno dou um botão
na prima que é vera
quando menos se espera
viro uma hera
no outono (des)folho

(Para Mônica-Manika)

Sê-lo



vi no retrato
o homem
o cão
e o cavalo
no ato
da muda
divaga-ação

De relance
vi bergman
na nuance
da cena
(death and man)
vi o sétimo
o selo
talvez
sem nunca
o sê-lo

(Para Lelia, amiga de rima...)
 
vida



Será a vida um jogo?
-de azar e sorte -
A arte de diferir a morte?

Niño

*
levo-te
dentro
como
quem
vela
pela
vela
ao
vento
*
mãos
em
conchas
protegem
mas
não
apartam-lhe
da
liberdade
do
ar...
*
sopro
as
tuas
chamas
para
que
queimem
soltas
*

pra
que
sintas
que
não
estás

*
(Para Marcello Pio)

Menina

menina travessa,
ao trabalho é avessa,
atravessa travessas
através das travessuras

da vida esqueçe as agruras
dos sonhos vive a procura
essa não tem mais jeito
já não tem mais cura

confessa ao avesso,
que só tem apreço pelo travesso
sujeito enamorado do verbo
transverso do verso

menina travessa
apoquenta e azucrina
não sossega se não bolina
na mesmice da vida sem rima

Inteiros

Recuso metades
Plena e intensa
Só pretendo o inteiro.
Meias verdades,
Meias palavras,
Meias furadas,
Meias taças
(a meio peito)
Jogados sobre a cama...
Entremeios
Meia boca
Meio beijo
Paixão meia boca
Ah não!
Fique com elas
Sou sem noção
Sou só completa
Se a ilusão
For inteira

vício noviço

No viço
Do vicio
Nocivo
Do cio
Noviço

Me perco
No parco
Delírio
Do lírio

Embarco
No barco
(Embora com arco)
E me armo
De armas
De armar

Armo o barraco
No barranco
Na ribanceira
Da vida
Sem eira e nem beira

Me lanço
E me enlaço
No descompasso
Entre o tempo e o espaço
E me perco e me acho
No desatino e no asco
Despacho o penacho
Da dor do medo de amar

Poemas curtos e grossos

*
gozo gasoso evapora
vira as costas
e vai embora
*

*
Branca
Lauda,
(Ágora
Da
Poesia)
Põe
Pra
Fora,
Poemas
Agora!
..*..
Linha
Não
Me
Falta
Me
Pauta!
*

carrego-te
com
zelo
de quem
leva
ovos
no avental
*

vai

ida
vida
vadia

vai
vadiar
vida
vazia

vai!
esvazia
a azia
indevida
da vida
ávida
de vida

*

Piso na azia
das palavras
amasso, espremo
torço e sai um sumo
verde-limbo
que penso chamar poesia
mas isso é pura fantasia
de quem tem ânsia
da mesmice do dia

*

rimos
- rumo à arritmia da rima -
sob a lua nua
*
Intensa tez
- da loucura -
que da vida entorpece a agrura
*
Na pele
- A sede da seda que cede do cetim -
Lábios carmim
*

Despe-me
(Nua e tua)
E me dispnéia
*
Da loucura
Que esporra
Da tua lua
(Que me alua)
Me cura
Com curra
*
toca um som
que vida é boa
baixa o tom
que a voz ressoa
boa mesmo é vida à toa
*
rimas e runas
rimos nas dunas
e as cúmulos passeiam no céu, avoadas...
*
nuca nua
nunca tua
agora à vista
embora arisca
*
Sem demora
Fique dentro
Fique agora
Fique até o fim
No centro
Da ágora que há em mim

Balança



 
...os pés fora do chão...

...................pra lá
pra cá...................
...................pra lá
pra cá...................

os olhos colados no infinito

...................pra lá
pra cá...................
...................pra lá
pra cá...................

...vertigem de menina...

Balança II

balança
na memória
a balança
das duas crianças nuas

no balanço
da noite perfumada
o menino
da moça no braço
com a outra no colo colada

no compasso
solto
no espaço
a menina
com seu laço
enlaça do moço o pescoço

duas desnudas
mudas
na dança
enquanto
dura
o encanto




Horizonte
 
Horizonte de frente pro nada
Moldura de precipício
Que avisto dele agora?
Terra à vista?
Sol a pino?
Terra e céu
O que há detrás dos montes?
Um deserto, uma mirada?
O horizonte me apavora,
Não há mar lá ao longe,
Só uma relva infinita.
Desnudo das matas de antes
O solo fraqueja sob os pés da boiada rala
Céu azul lambe seus contornos distantes,
Só a nuvem fofa que passeia com desdém me consola.
Guardo nos olhos o medo infantil
Daquele mar de terra infinda
Que me separa do tudo
Aparta-me do mundo
Guarda-me o obscuro e o mudo
As trevas da noite abrandam o receio
Ocultam a luz obtusa que me aponta o sertão solitário
A noite recobre a monótona paisagem
Apazigua meu espírito...
Afasta-me desse mar de terra infinita
E me faz sonhar com as águas do além...

Arrepio



Embarace
(leitura de Klimt)

Entrelaçada na laçada do teu braço
No nó do teu abraço
Embriago-me no onírico do teu cheiro
Perco o chão, o norte e o rumo
Nas noites de meias luas
Entre translação e rotação saio do prumo
No compasso lento do embaraço
Tuas raízes cruas invadem-me as partes nuas
Salto então plena na imensidão do teu espaço
E forjo do teu barro e do teu aço
A quimera do amor verdadeiro
Mergulhada nesse amasso
Afundo-me no teu mundo
E já não mais sei onde começa e termina o meu no teu inteiro
No delírio mudo sumo no teu fundo


nós nas pernas,
nós nos pêlos,
nos inteiros,
nós nas tripas,
nos começos,
nós nos chamam,
chama inteira,
nos cabelos,
nós os nus,
nós Anais,
nós nas almas,
nós os Nin,
nós nas línguas,
nós nos troncos,
nós nos bicos,
nós nos cheiros,
nós os bichos,
nós no nicho
nós nos nós

Agora

Por que te pranteias?
Lava esta cara em riacho corrente
Deixa ir, enrolar,
Embolar nas pedras
As farpas que ferem
Esfrega essa cara
Enxuga esse pranto
Abranda o soluço
Suspira o alívio
O açoite cessou
Afaga a face na brisa fresca
Embriaga-te no aroma do jasmim
Unta a pele em azeite e seiva de alecrim
Deita em lençóis de seda
Ceda ao alento
Descansa!
Aceita a calmaria sem culpa
Aproveita do não sofrer
Na ágora brinca o instante do agora

(Pra Landim e Kelli...)


Jeanne

Entre e feche a porta.
Tateie no escuro.
Pise macio.
Não faças barulho.
Entre como brisa em arrepio

Não digas nada.
Espie.
No olho a tela a óleo:
É ela.
Delira

Delicia-se.
Não assuste.
Assunte.
E a ti verás
Refletido
Na retina
Dos sonhos
De menina

expelido


Íncubos

Desassossegas-me as noites
Sorris angelical, ó demônio!
Mas a malicia vaza-te da boca
Doloso e nocivo: éter e ópio
Desperta-me a lascívia tosca

Sem licença nos sonhos se deita
Açoita-me sem piedade e se deleita
Envenena e extrai-me o desejo abjeto
Bicho faminto caça-me fêmea-objeto
E desperta a peçonha de ti afeita

Acende o fogo dos tormentos
Assopras no ouvido do sono a luxuria
Arranha a nuca da ébria loucura
Bolinas corpos e pensamentos

Lúcifer de garras me aproprias
Lê-me os dormentes segredos
Desnuda-me latentes fantasias
Faz delas demoníacos brinquedos

Agora serpente: rastejo nos passos da demência

Eu Cúmulos

Nuvem diluída escorro
Fria na tua face quente
Gota escorrego, percorro o pescoço
Amornada desapareço
Misturada ao suor do teu dorso

Faço-me em ti o teu sal

Não percebes, mas não andas só;
Caminho sobre ti feito as cúmulos
Branca e acolhedora
Deslizo cortinas sobre tua jornada
Vendo a claridade que te queima
Sombreio teus caminhos duros

Ao te vê-lo, menino de olhar perdido, velo-te!

Lá vem Donana

Lá vem ela, vem faceira
No balanço ingênuo da trança
Esconde!
Quando inteira verdadeira
Vem ligeira a feiticeira
Traz magia de criança
Vem Antonias, vem 'Racema, vem a Pura
Enfeitiça curandeira!
Na procura traz a cura pra loucura
Sorrateira vem na espreita
Observa pela fresta
Suave e doce nem suspeitas
Mas não presta!

(Inspirada na ciranda de ser feliz com menino Pio e com a menina Manika)

memórias de nuvens nuas



um pássaro no ninho
um coelho
um novelo
um pintinho
um camelo
uma ovelha
um ursinho
uma orelha
(De volta o pintinho)
uma mãe
um anseio
uma filha
um passeio
na tarde a caminho

A vida

Havia a vida ávida de vida
Na via havia o tudo no fim da linha
A ave de fantasia despida
Aquela que à mente advinha
Qual salto de Ícaro na partida

O quê o vácuo evacua agora,
O nada sem luz?
Onde há o devaneio de outrora?
A história sem fada não mais reluz

Faustas conquistas falsas
Hão de fartar-nos nos fados
Errantes como as balsas
Que nos arrastam nos babados
Das ondas em valsas

Onde há o fogo que alumia?
Pergunta o poeta
Há ali sob as cinzas da alquimia
O que mais nos resta?
Ilusões em réstia?

Ao fado fadado ao fracasso
Reservo a adaga afiada
O asco amolado do aço
Perfuro-lhe a entranha esvaziada
E me aninho nos delírios em que me enlaço
(hoje e sempre)

(das correspondências com Eric B.)
 
Começos emails

Ah poeta,tens o dom das palavras
Que me abrem os sentidos e as pernas

Viste minha cara,
Espiaste parte dos meus segredos

Já deslizaste as mãos pela minha púbis
Arranhaste minhas coxas de fêmea com a barba por fazer
Tocaste singelo os seios
Arrepiaste a pele em pêlo
Embrenhaste nas madeixas de fogo
(Forjadas, é certo, feito o meu desejo obsceno)
Sentes ainda meu cheiro?
Atendo ao teu aceno
Não entendo, porém tuas metáforas,
Dizes querer-me sal, que quer afinal?

Queres-me carne,
Queres-me em pêlo?
É isso um apelo?
Queres-me matéria etérea?
Queres-me diva e casta?
Sou também puta
Como tantas
Queira-me!
O que já tens de mim já não me basta

Diga-me poeta:
Sem troça e sem demora
Amora e alecrim?
Linho e vinho
Deitar-me em teu ninho?
Ou na relva d’aninha?

Oferece-te o mundo do absurdo
O meu sagrado e o meu obscuro

Vejo-te cara lavada
Ver-te, quase verde,
Não afasta o poder de recriar-te
Sapo encontrado, príncipe torto,
Homem feito (preso e solto), menino-brinquedo
Poeta, profeta, cafajeste.

Tenho de ti a ilusão de matéria
Assim como tens de mim olhos de menina
Que brilham na cara azul de mulher dos 30

Que venham os começos!
(Desejo começos eternos, porque começo é sempre o começo de ilusões perfeitas)
Com tropeços, sôfregos agora
Porque espero sem demoras pelos teus 0,5
E pe(ê)los teus inteiros
 
(re)clama...

Onde anda agora meu companheiro de doces delírios
Estarás nas enfadonhas tarefas da maçante e corriqueira vida
Perdido nos descaminhos dos abraços de outrem
Vagando na miragem dos recantos da alma
Em busca da musa perdida
Atrás de filosofias que inocentem as dores do existir
Que fazes na demora de me tocar ?
Ausente quando careço de ti o colo, os sonhos e a delicadeza morna da tua lírica

(Em resposta a Eric B.)
Niño

En medio el mar y el cielo el niño espera
el anochecer más bello y cariñoso de estrellas
Entre el firmamento y las nubes mira
el amanecer más colorido de porvenir
Debajo de la luna, bajo del su lucir camina
Borracho de devaneo y sueño,
Leve, así como una pluma, planea por el infinito


(Pro Henrique, meu querido, que vem chegando...Pros meninos que se negam a crescer...)

 
Ato Falho

A LINGUA:
fala,
fala,
fala...
A FALHA:
fala!
fala!
fala!
A FALA:
fl_lh_!
f_al_a!
_la_h_!

Entretantos

Deito-me em segredo com tantos
Que já nem sei mais quantos
Tantos vieram de súbito:
Os aguardados, os esquecidos
Os repudiados e expelidos
Deitaram-se no leito da loucura
Inventaram, pro vício da desespera, a cura
Sopraram os ventos da aventura
Atiçaram as brasas da luxúria
Acenderam as luzes da fantasia
Amanheceram as sombras da procura

Foram tantos, e no entanto,
Dos risos que trouxeram
Sobram restos parcos de um pranto
A desventura e a deselegância
E a mais pura ânsia
Não importam quantos se foram sem aviso,
Sem cerimônia e sem juízo...
Tantos ainda virão:
Descalços e incautos
Desalmados e empobrecidos
Mal-amados, nobres bandidos
Moços senis inconformados
Velhos infantis desajustados
Os débeis e desgraçados
Todos terão acolhida
Sem pudores ou pressa
Quaisquer deles hão de servir de peça
No jogo de inventar a vida...

Entre atos
1º Ato. (O encontro)

A surpresa: suprimida pelo olhar de desdém, pelos gestos mecânicos. O simulacro da familiaridade oculta o desconforto da estranheza dos corpos.
Aproximam-se num toque autômato quase imperceptível, como se assim pudessem dissimular o incomodo do estranhamento inicial. Fingiram-no casual, quase banal, o encontro, como se fora mais um, como se não fora o primeiro, quiçá o único.

Olhares disfarçados radiografam os detalhes; mãos suadas, apalpam-se como se quisessem uma penetrar na outra no desespero de camuflar a inquietude, na boca a palavra seca, nos olhos cortinas cerram o medo de ser lido.
O silêncio denuncia o mal-estar do inusitado.
O tempo curto amplia a ânsia de abreviar a distância.
A cumplicidade da alma cala-se frente a desconhecida matéria.

Feito bicho acuado rondam-se e revezam no papel de presa e predador, espreitam-se esperando um descuido, um deslize que revele a fraqueza, que dissipe a dissimulação. Privados do toque, investigam o território do corpo alheio, seria incivilizado ceder aos impulsos dos sentidos sedentos. Escamoteiam o desejo inevitavelmente aflorado...

2ºAto [Es(x)piação]

Músculos afrouxam-se, acalmam-se as mãos; palavras amansadas e diálogos causais relaxam a língua tesa. Abrem a guarda, embora vigília permaneça. O nervosismo desbotando solta a gravata do sufoco; os olhos permitem-se o espelho, buscam o fundo, desembaçam a retina, agora procuram os reflexos, expõem-se à leitura, quase didáticos ensinam o caminho.
Encaram-se.
Rondam ainda, explorando nos odores as pistas, trilham a geografia ignorada, espiam nas frestas os relampejos descuidados do interesse. Questionam-se, sem respostas evidentes.

Um cala o outro escuta; palavras estratégicas que não dizem nada, frases disparadas preenchem o silêncio que balbucia mais do que quisessem dizer. Peles e pêlos traem-nos, dão voz ao corpo, até então, abstraído.
Um toque forjado: os olhos deslizam sobre a matéria, afagam a energia expelida no frêmito.
Oscilam entre a tensão e o conforto. Aproximam-se sorrateiros. As vibrações se fundem.
Postergam o toque; apreciam-se as carnes expostas na tela que se oferecem.
Estão ao alcance de todos os sentidos, como nunca o estiveram.

Cabelos ao vento, embaraçam o carmim e castanho, a brisa úmida e fria acalma a febre, espalha no ar o convite ao entrelaço. Qual o próximo passo? Qualquer gesto abrupto os espantarão para longe, feito pássaros selvagens...
Penetram-se sob o resguardo das fronteiras que se diluem...
(continua...)
 
3ºAto (A entrega)

Reconhecem-se, são da mesma espécie. Bichos figidios cúmplices na
inquietude, encontram-se no espectro do outro. A estranheza ainda existe, carecem da proximidade, falecem as forças de ataque, entregam-se na espera: são presas fáceis.
Escondem as garras, ronronam, insinuam. As mãos se oferecem, a pele apela o toque. São agora flor e abelha, ninho e passarinho, música e dança, riso e fantasia, nuvem fofa e céu azul. Convidam-se ao refúgio.

Imantados seguem em paralelo, caminham a passos lentos pra que caminho não finde. Deixam-se levarem mudos. Prescindem a palavra, entendem-se nos gestos. O verbo é vazio. O hálito perfuma, a pele aponta a direção, o cheiro atrai, as cores descrevem as texturas: os corpos são gêmeos. O espírito se cala: bicho não tem alma.

Abstraem-se na matéria, não há mais tempo e espaço, flutuam entre os outros alheios ao mundo. Ignoram, por um instante, o todo a que pertencem, ocupam o único nicho de silêncio que restou. Dispensam o olhar, advinham o odor doce e a maciez da tez; a despeito da mão, já se tocam.

Escapam-lhes os sentidos: instinto! Perdem-se no conforto do abraço do desejo!

A vez da voz
A surpresa da voz.
No desconserto do inesperado prazer de ter mais um pouco, balbucio, quase tola, palavras superficiais que inutilmente teimam em ocultar o deleite e o riso dos olhos. O embargo da voz diz-te mais do que minhas intenções.
Junto fragmentos, e quase te toco. Dos teus pedaços de angústias, dos fiapos de sonhos, das migalhas de delírios, dos fios do desejo forjado, teço-te em linho branco e macio, vejo-te menino e amo-te mais.
Onipresente, insistente e caprichoso no fazer-se existente em mim, no esmero de escultor de palavras, alcanças o poder de feiticeiro, tua obra já desliza sutilmente sobre a minha face, imaculada do teu toque, os dedos delicados da ilusão. Gozo do teu prazer, choro a tua dor, rio o teu desvario, toco a tua sensibilidade.

(Para Eric, mago das palavras)

Potra

Espere-me por hora
Sem rebenque e sem espora
Marcho agora sem demora
Ao som de relincho novo
Crinas soltas, passos leves, horizonte aberto,
Relva verde, riacho fresco.
Brilho e força na cavalgadura
Que se inaugura

(Em resposta a RR)

Brincança

Se a hora fosse ainda aquela de magia,
Se luz alumiasse a cara da noite pintada de fantasia
S’inda hoje eu pudesse tocá-la com o dedo mágico da infância
Se a fadiga da brincança ainda me sorrisse vazia
E os sonhos me abraçassem o sono ao fim do passeio
Retomaria eu o encanto
De menino que toma nos braços a felicidade sem receio

(Inspirada na sensibilidade do olhar de Heitor Florence)

Volta para o topo
Decoupage

A morte lhe cai bem!
O pecado mora ao lado?
(Não! Mora dentro!)
O coração é mesmo satânico?
Sim, eu tenho medo de Virgínia Woolf
E espero que the end is near, não esteja mesmo próximo
A um passo da eternidade, me pergunto:
Qual será a minha verdade?
Aquelas que ouço dizer?
Terei mesmo uma que é só minha?
Serei eu apenas decoupage de dizeres da humanidade?
Sim, sou isso e mais aquilo que inventam todos os dias
É em vão pensar-se único
Somos matéria da mesma prima
Tabula rasa preenchida de copiadas rimas
Retratos desbotados, filmes puídos,
Versos empoeirados, vinis esquecidos...
Invasões bárbaras de almas?
Assim caminha a humanidade?
Pro declínio do império americano, ou
Pro perpetuar da sua beleza fake?
Já é tarde demais pra esquecer...
Mas será mesmo que nada é para sempre?
Não é assim que tem sido?
Não somos apenas condessas descalças?
Belas da tarde?
Nossos crimes sem castigos
Serão queimados na fogueira das vaidades?
Que nada, somos isso mesmo:
Colcha de farrapos humanos!

Volta para o topo
Clarividência
(ou Clara evidência)

Eu vejo o que pensas,
E o que pensas ocultar,
Espreito as tuas incertezas.
Vejo a tua covardia camuflada de ousadia
A tua vaidade disfarçada,
A tua verdade mentida
(metida à besta!).
Eu te olho de dentro, com o teu olho!
Vejo teu futuro nos teus instantes,
Vejo teu passado incipiente no presente.
Vejo as ervas daninhas, as pragas, os fungos, os espinhos,
Tuas vinhas (da ira) envenenadas,
Que vicejam na tua mente indecente
E alimentam tuas crias peçonhas.
Oculto na tua solitude,
Eu vejo o teu desdém pela dor que não é tua.
Enxergo-te do avesso:
Vejo tuas vísceras negras putrefatas,
Tua miséria gosmenta vaza pelos cantos da tua boca,
Farejo o hálito fétido das tuas palavras azedas,
Sinto o gosto ranço da tua amargura infinda.
Tua língua ácida queima, feito lava (arrasa, arrasta), nunca se cala:
Fala, fala, fala despropósitos sem propósitos,
No desvario de preencher o nada
(o vácuo da tua alma pequena).
Ouço o brado da tua ira,
Tateio a tua aspereza,
Ausculto a tua inveja pulsante,
Farejo a tua avareza (que vareja tuas entranhas),
Leio os teus pensamentos repugnantes.
Sou vítima da tua falsidade dissimulada,
Mas me confessas, sem querer, teus pecados absurdos.
É em vão fingir
(não me escapas pelos vãos),
Adivinho o teu destino,
Tuas dores latejam em mim.
Inútil negar o inegável:
O improvável é o mais provável na tua mesquinha existência.
Vejo-te com absoluta clareza!
Vejo-te assim:
Reflexo do que sou.
Vejo o óbvio:
Você é o EU, que há em você e em mim

Volta para o topo


Provo ca ações

"Milhões de frases sem nenhuma cor"

Asas negras revolvem
A magia empoeirada e as dores adormecidas
Numa revoada de cores
Trazem de volta a tormenta
Encrespam as ondas e inundam o sossego abissal
Era o alento o esperado
(Pras mil vezes que clamei, em vão
O ninho, o vinho, o pássaro, a mão)
Mas não...
Só o nada se mostrou
Em meio aos hiatos
Do sonho inacabado
Agora,no adiantado da hora,
Mostra-me a face da outra
Minha irmã siamesa nos versos e no amor
Que feito fardo, arrasto por ti

"O que você está dizendo?"

(13/12/04)

Volta para o topo


Espichadinho

Invento o ato
Aceno o obsceno
Espano o plano
Belisco tormentas
Estico cordas (bambas)
Reprovo o experimento
Bebo do veneno
Atormento o sossego
Embaraço novelo
Desamarro cadarços
Atropelo a cautela
Cutuco onças
Atiço as cinzas
Apago o fogo
Abro torneira
Entupo ralos
Encurralo currais
Escôo rios
Côo borras
Sujo a roupa
Surjo do nada
Mordo a língua
Lambo caras
Afago falos
Morro à mingua
Rasgo lençóis
Emendo ementas
Surrupio sono
Embalo a insônia
Arremedo verdades
Cultivo mentiras
Atraso o compasso
Desfaço o laço
Esmaeço a melodia
Abano o dia
Rio do choro
Corro pro rio
Sofro o decoro
Emudeço no coro
Esfolo couros
Aconchego touros
Derreto gente
Converto em ouro
Fujo do mouro
Suavizo explosão
Trago mau agouro
Corto facas
Cuspo solidão
Entorto pratos
Enfio lanças
Afio garfos
Lanço espinhos
Espirro espigas
Entrelaço ninhos
Entalo o verso
Embalo abalos
Inverto o reverso
Subverte o verbo
Pelo prazer, apenas,
De espichar poemas

Volta para o topo


Quero-te desassossego

Caras e bocas
Bocas e taras
Línguas e falas
Palavras e falo
Rodeiam o halo
Princípio de abalo
Precipício do acaso
Salto em tormentas
Lanço-me em laço
Embaraço e entrelaço
A chama que clama
O desassossego.

Volta para o topo


Contemplação

Na minha ingênua ignorância pergunto se há mesmo um deus tão bondoso
capaz de amar incondicionalmente.
Não se trata de duvidar da existência de deuses, a dúvida e a ânsia
consistem no desejo de conhecê-lo e a sua sabedoria...
As dores do amor torto que experimentei compelem-me ao desejo de um amor
desprendido, perfeito: amar como se contempla uma paisagem...
Não se aprisiona uma paisagem numa gaiola, como o faz o admirador de
pássaros; ao observar uma paisagem, não descaracterizamo-la como
se faz com o gato enjaulado no conforto de um lar; apenas sentimos a
contemplação, guardamos o sentimento do êxtase, os sentidos do fresco da
brisa, do cheiro do mato, da umidade ou da secura do ar, do colorido
movimentado, ou da monotonia das poucas cores forjadas na luz, do calor
ou do frio, dos sons difusos, mas harmônicos...
Amar deveria ser assim como a contemplação, o apenas sentir e não o
desejo de possuir...
Amar como amava o poeta-guardador de rebanhos deitado na relva da
simplicidade de apenas ser e estar com todos os sentidos ali...
Empreste-me sua sabedoria poeta!

“Se falo da natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...”

Volta para o topo


Calo (no sapato ou na alma)
Calem-se os sorrisos ternos
(medíocres)
Calem-se os sinos
Calem-se as luzes
Calem-se os ventos
(que me trazem as palavras sem sentidos)
Calem-se as cartas de amor
Calem-se as promessas
Calem-se os suspiros ridículos
Calem-se as cores e os sabores
Calem-se luares, alvoradas e crepúsculos
Calem-se os risos irônicos (e mesmo os sinceros)
Calem-se as frases otimistas
(insossas)
Calem-se os murmúrios doces
Calem-se os consolos
Calem-se as Callas e Kahlos
Calem-se todos!
Tudo que for dito agora é vão
Todas as palavras serão vazias
A palavra, lavrada agora, queimará feito lava
Arrasará o significado do símbolo
Banalizará os sentimentos
Far-se-á inútil!
A folha branca, abrancará as dores
E o silêncio que se faz nesta hora (de adeus).

Volta para o topo


Segunda-feira

Um gosto de café amargo na boca
Um opaco nos olhos
A lembrança de uma tarde qualquer,
Dos pedaços de sonhos da noite passada,
Da peleja da semana que começa,
Fragmentos de pensamentos
(ainda flutuam na memória sonolenta)
Mais uma manhã que se vai e o café que esfria na xícara
A janela ainda aponta a mesmice
Embora a luz seja aquela azulada
(tão amada)
Embora a brisa seja aquela quase fria
Embora a vida seja aquela quase igual
(a de ontem)
Hoje parece quase mais vazia
Quase sem gosto,
Quase sem cheiro,
Quase um desgosto
Embora o amargo do café ainda persista
Embora seu aroma permaneça
Embora a música ainda soe forte nos meus ouvidos:
Vou-me embora dessa terra segunda-feira quem vem,
quem não me conhece chora, muito mais quem me quer bem ...

Volta para o topo


Dor

Não vou renegar-te mais minha velha companheira
Perdoe-me pelo abandono momentâneo,
Desviei-me dos teus caminhos,
Fugi do teu encalço
Do teu abraço embaraçoso,
Dos seus afagos entrelaçados,
Das tuas cores embaçadas,
Apartei-me sem demora
Fui embora na primeira condução
Pros sabores da fantasia
Tomei um atalho,
Procurei a luz distante da tua sombra
Apaguei tuas sobras
Ocultei sem rodeios as tuas memórias
Fui à desforra dos teus desatinos
Mesmo assim você voltou generosa
Veio manhosa, mas poderosa e resoluta
Saudosa de mim
Despeitada, mas arfante de ternura
Agora você novamente mata tua sede no meu pranto
Satisfaz-se com meu desespero
Ri do meu desgosto
Ah, Dor, minha velha companheira!
Não disfarce a felicidade que sente ao se apoderar de mim...
De teus espinhos ávidos por me arranhar
Eu tiro as tintas pros novos versos
Da tua feiúra tiro a beleza
Da tristeza que tu insistentemente me ofereces
Eu tiro a esperança.
Esse defeito de fábrica,
Herança das fêmeas ibéricas,
Você não consegue afanar...

Volta para o topo


Ranho

Preciso de um aterro pro desassossego,
Desabraços pro desapego,
De veneno pro desalento,
Preciso do grito preciso
E inciso no teu ouvido indeciso,
Da faca que te corta,
Da unha que arranha,
Preciso morder caras lavadas pro meu desagravo.
Sou fera aluada,
Bicho fungando no curral do sufoco
Vaca braba de cria babando de fúria
Potro sem doma
Espinho afiado
Rosa de plástico
Lata amassada
Brasa apagada (que teima em ser fogo).
Sou o ranho de lama,
Esterco de gado,
Rato acuado,
Afogamento no aquário,
Baba de louco,
Fogo no mato,
Cuspe no asfalto,
Sol a pino,
Desatino sem fundo,
Carrapicho e urtiga,
Sou fome, sou sede,
Sou berro sem eco,
Desespero sem freio.
Sou o feio
O dejeto abjeto
A fuligem, a fumaça,
A sujeira.
Sou o asco,
O asno empacado,
O sapato apertado,
O burro de carga,
O cadáver!
Chão rachado
Arame farpado
Poeira da estrada
(que leva ao nada)
Um grito engolido
Ar que sufoca
Sou réstia do que resta
Sou engodo no lodo
Escorpião no corrimão
Sou quem mais não presta
Nem pra descrever
A podridão da descrença...

Volta para o topo


Enjoei!

Ando à toa, perdida num vazio que sufoca, estorva, incomoda, quase arde, quase dói...
Sinto um desejo de vomitar a mesmice da minha existência medíocre, pequena e insignificante, covarde, atrofiada...
Tenho um grito entalado na alma moribunda; a descrença me contamina as vísceras, dilacera minhas verdades, desbota-me os sonhos, embota-me os devaneios, esgana minha gana...
Tenho nojo da minha auto piedade piegas; tenho asco do que sou agora, quero desvencilhar-me das asas no salto pro abismo, quero enterrar meus pensamentos sórdidos que insistem em se arrastar feito vermes em lixo podre, quero pular de mim, rasgar minha farsa, escancarar minha vergonha, minha tolice... Sou ingênua tolice de crer na descrença, tola de esperar um porvir, tola de esmurrar as facas afiadas no desespero, de enfiar as unhas na lama, de plantar erva d’aninha em solo seco...
Sou a ignorância, a intolerância, o ego torpe, sou a mentira, a farsa, a tragédia , sou a mesmice negada, a novidade fingida, terra ressequida, rosa traiçoeira, água parada...Enjoei-me de mim!

Volta para o topo


Nome Sem rosto

Saudosa da sua poética devassa, despida de pudores
dissimulados, vago perdida na busca desenfreada do desejo
inventado...Sucumbo ao torpor, mas não esmaeço,
prossigo trôpega no calcanhar das tuas sandices...
Na noite de sono arisco, clamo insone teu nome sem rosto...

Volta para o topo


Pureza dissimulada




Suspeito do meu desejo obsceno
E me deito em deleite
No leito de morte
Da minha pureza dissimulada

Volta para o topo


Ego
Roubei a beleza dessa manhã de garoa fina
Um sorriso malicioso, quase ingênuo, ilumina minha face
Meus olhos refletem no espelho o prazer da imagem
de bela que vê a beleza que ocultava
Acordes flamencos, harmonias de Kali, cantigas japonesas singelas,
sinos da Índia, mantras de almas serenas, dança do ventre,
cheiro de incenso atiçam todos os meus sentidos...
A paisagem da janela aberta pro horizonte,
O quadro pintado pelas mãos que me afagam com desejo,
Os ecos dos versos de um poeta qualquer,
Trazem um frescor que me arrepia a pele...
Fazem florescer,
Florir,
Desabrochar...
O micro cosmo que inventei me aninha
Nessa manhã que me banha em êxtase sereno...
Chuva de gotas finas e delicadas salpicam a paisagem,
Umedece o ar que brinca de fazer espirais nos cabelos
vermelhos que forjei
Deixa-me suave, terna, mágica, fluida, linda...

Volta para o topo


Teu espírito
Teu espírito, mais uma vez, visitou minha noite.
Vagou no escuro com plumagem nos pés
Veio sorrateiro, traiçoeiro, como sempre.
Penetrou na penumbra do meu pensamento dormente
Brincou com as frases desconexas que teimavam em resistir ao sono
Desordenou as palavras ordinárias que forjavam frases difusas
Riu das suas bobagens ritmadas
Gozou da sua ingênua malícia
Fez poesia e se foi,
Deixou rastros esquecidos, palavras jogadas na memória do sono,
Orações incompletas, sem sujeito, ações sem verbos, fragmentos de
signos esgarçados...
Fiapos de pensamentos, agora na luz, flutuam inutilmente na
impossibilidade do retrato fiel do infortúnio encontro que ainda
me inebria.
Resta esperar que ele volte numa noite de sono alerta, aberta pro
desafio do duelo de vida, pronta pra enreda-lo, encarcera-lo e
roubar-te a poesia das traquinagens do teu espírito atormentado...

Volta para o topo


Entre isso e aquilo
Entre o riso e o choro, a distância ínfima
Entre o rio e a margem, a correnteza a arrastar certezas
Entre a treva e a luz, apenas o passeio do astro
Entre a tristeza e a alegria, a distinção necessária
Entre os extremos, a condição de ser finito...

Volta para o topo


Maria Isabel
Maria
Que é Isa
Que é Bel
Isabel, princesa áurea
Menina alada
Asas brancas abertas no azul do firmamento
Do verde dos teus olhos, donde repousa a menina,
Brotam fantasias que brincam com a beleza das ilusões
Suas cores reluzem os sonhos da bailarina-trapezista
Que salta do infinito à brincadeira de casinha
Vai menina, exala seu perfume
Inebrie as vidas insípidas que ignoram a poesia do seu sonhar
Brinque as verdades fingidas
Tinja de cores o preto e branco da vida
Vai Maria
Vai Isabel
Alforrie os devaneios do cárcere das almas feias
É essa a sua missão de princesa imaculada
Vai princesinha
Voe alto no salto da vida...

Volta para o topo


Don’ana

             Don’ana Bacana
             Que gosta de cana
             Café de pijama
             De beijo na cama
             Da tarde na grama
             Quand’ama se dana 

Volta para o topo


Silêncio!
             Shiiiiu!!!!
             O silêncio pensa.
             Em silêncio o pensamento
             Pensa que é silêncio
             Mas seu silêncio pensa.
             Fábrica da miragem
             Morada do devaneio
             Torno da imagem
             Shiiiiu!!!!
             O pensamento pensa
             Que é verdadeiro...

Volta para o topo
Branca é a tela
Na espera
Das negras letras
Que serão palavras pretas
Na alvura da bela
(Ou será fera?)

Na tela
A espera
Esmera
A poesia
Que há por vir
Que há de exprimir
(Ou será necessário espremer)
Para que saia os desatinos sem rima
Sem regra
Sem freio
Sem cisma?

Volta para o topo
Exibida
A exibicionista
Pretensa
Intensa
Inspira
Aspira
Cof, cof, cof!!!!
Poeira
Na beira
Da soleira
Da vida
Espremida
Da ferida
Sentida
No doce querer ter
Ou ser
Pura exibição
Exibida
De menina
Querida
Fugida
Da inocência
Perdida

Volta para o topo


O aquário de Don'ana
Vivo num aquário, num ninho,
numa jaula de janela
vazia de limites. Vislumbro o horizonte de
fronte no front da vida. Ora assusta, ora
engana, ora dana, ora amplia ainda que a
hora pareça tardia.
Refúgio, masmorra, torre, caverna
taberna, trincheira na beira da
guerra, na leira de terra onde planto
o pranto e o encanto.Resguardo-me
na penumbra fria e úmida da qual prolifera
a espera do que há por vir, e em solo
fértil de húmus fétido de cadáver vivo
brotam devaneios insanos...
“Cabeça vazia, oficina do diabo...”,
sábio Lúcifer, planta no vaso vazio
da mente a semente da demência que
fantasia ter a vida querida,
mesmo que num breve instante
de não lucidez.

Volta para o topo


O que é isso que dá e passa, vez por outra?
Dá no pulso como impulso.
Dá sem razão
Na vazão da não razão.
Na invasão do vazio
Evacuo-me
Do vácuo de mim!

Volta para o topo


Risco
      Eu arrisco
      Um risco
      Um rabisco
      Um cisco
      De pensamento
      Um tormento
      Um alento
      E ARIV isso!

Volta para o topo


              Pura 
              Impura
              Empurra
              A puta 
              Bruta
              Abrupta
              Mente!
              A tristeza que sente
              Minta!
              A verdade que tem
              Finja!
              A pureza da mente
              Inveje!
              A inocência da puta
              Santa pura de luxuria
              Solta a puta pura!!!!

Volta para o topo


                          Professores
                      Professam Profecias
                         Empobrecedoras


            Professores professam profecias emburrecedoras...

                            Blá, blá, blá...
                        Blá, blá, blá, blá, blá...
                   Rhu, rhu, rhu!!! (Pigarro-pedagógico)
                        Verborragia Pedagorrenta!

                           Professas hipocrisias
                         Acreditas mesmo no que diz
                         Profissional das profecias?
                             Sacerdotisas o ser
                       Empobreces a criatura que crias
                              Mitifica o saber...
                            Subordinas a criação
                         (Dormes tranqüilo depois?)
                            Dogmatizas a ciência
                     Crês no saber assim como na religião?
                            Era esta a tua missão?
                 Sujeita-se a não ser mais sujeito de sua ação...
                              E agora profeta ?
                               O que te moves,
                        Se não acreditas mais no que faz?
                          Não querias apenas ser poeta?

Volta para o topo


A tela
A telha
Abelha
Aranha
Arranha
Na teia
Da telha
A vêia
Da velha
Alheia

A tela
Na teia
Alheia
semeia
Na veia
Da bela
A espera
Da vela
Na tela
Da teia

Volta para o topo


 A palavra em si já é precisa.
 Às vezes nos revela o que ocultamos, ai dizemos que é 
contraditória...Que nada! Que história...
Ela desvenda as teias tecidas pela mente, que mente
a verdade que tem: Palavras Lavras do pensamento

Volta para o topo


Minto

Mente
Minto
Mente
Penso
Minto
Pensa
Mente

Pensamento!
Pensa...
Mente!
Pensa...
Mente!
Mentecapto!
Pensa
E
Mente!

->Volta para o topo

Página modificada em 12/11/2008 às 09:14
Google
 
Web www.dundes.com