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veja a teia-familiar da Iracema
aniversários, e ainda acha que é “esquecida”. Rezadeira desde pequena, a italianinha cantava em latim como um canário afinado. Dia desses, cantarolando e contando parte de sua história de infância, me fez chorar vergonhosamente. História sofrida, como a de tantas mulheres desse mundão de meu Deus, as vezes até choca, mas pensa que ela se lastima? Se as mágoas existem, e deve haver tantas, elas não contaminam sua alegria de viver. Sua espontaneidade chega queimar como brasa, é ai, talvez, que resida sua autenticidade, não mede as palavras, fala mesmo pelos cotovelos, doa a quem doer... Ah...Doce menina ‘Racema...Que seria de nós sem os brinquedos? Será que seriamos os mesmos sem tua magia de bruxa? A "lebrona", como dizia o vô Tonico, botava ovos coloridos sem errar a cor desejada, na Páscoa tão feliz mesmo sem ovos de chocolate. Artesã de bonecas de sabugo de milho e de pano, e apaziguadora de brigas dos netos com frases matutas (“Se não parar de judiar da sua prima, vou colocar você pra dormir com o calcanhar pra trás”, lembra disso Cláu?). Quem não ganhou uma pombinha de massa de pão, com olhinhos de carvão e cisquinho de vassoura no bico? Quem não comeu pão caseiro molhado naquele molho de frango caipira que só ela sabe fazer até hoje? São tantas as coisas miúdas que nos encantaram, que não tenho eu a pretensão de esgotá-las, mas espero que essas poucas lembranças aticem a lenha da memória, pra que em volta do fogão de lenha, qualquer dia desses, colhamos histórias e as carreguemos na roda da saia, feito os ovos que a Iracema traz do terreiro... (Donana) Voltar
Página modificada em 02/11/2008 às 11:45
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